A ASPD – Associação São Paulo Diferenciado integra a primeira fase do programa municipal Pode Entrar Entidades e atualmente acompanha diferentes frentes habitacionais na Zona Leste de São Paulo.
São 62 unidades habitacionais do Residencial São Paulo Diferenciado em fase de finalização, na Avenida Professor João Batista Conti, no Conjunto Habitacional José Bonifácio, em Itaquera. E também estão avançando com o Residencial Tereza Aparecida Cardoso Nunes de Oliveira, previsto para a Avenida Waldemar Tietz, 1775, em Arthur Alvim.
Outros 400 apartamentos estão em fase de estudos e planejamento, também na Zona Leste. Veja entrevista completa abaixo com Emerson Nunes, presidente da ASPD:
Folha: Na nossa última conversa, o senhor mencionou a intenção da Associação São Paulo Diferenciado de viabilizar cerca de 800 novas unidades habitacionais. Em que estágio estão hoje esses projetos e quais são os próximos lançamentos previstos?
Emerson Nunes: Estamos trabalhando em duas frentes que, juntas, representam aproximadamente 800 novos apartamentos. A primeira envolve 400 unidades do Residencial São Jorge, na Avenida Osvaldo Valle Cordeiro, no Jardim Brasília, em Itaquera. A segunda é uma novidade que estamos preparando: outros 400 apartamentos, atualmente em fase de estudos e planejamento, também na Zona Leste. A área estudada possui localização estratégica e acesso ao transporte público. Os estudos de viabilidade estão avançando e nossa expectativa é apresentar novidades sobre esse projeto entre 2027 e 2028, conforme o avanço das etapas técnicas e administrativas.
Quais regiões de São Paulo devem receber esses novos empreendimentos?
Neste momento, nossa prioridade está concentrada na Zona Leste da capital paulista, onde existe uma expressiva demanda por habitação de interesse social.
Existe uma concentração maior na Zona Leste ou a Associação pretende ampliar sua atuação para outras regiões da cidade?
São Paulo é uma metrópole de dimensões enormes e a Zona Leste concentra uma população muito expressiva. Por isso, nossa atenção está direcionada à identificação de terrenos e oportunidades nessa região. Isso não impede que, futuramente, possamos analisar possibilidades em outras áreas da cidade, desde que existam condições técnicas, jurídicas e financeiras para a implantação dos empreendimentos.
Para quem está procurando o primeiro imóvel, uma das maiores dúvidas é o valor. Já é possível estimar a faixa de preços das novas unidades e quais serão as condições de financiamento?
Nossa atuação está direcionada às famílias enquadradas nos critérios dos programas de habitação de interesse social, especialmente aquelas com renda familiar de um a três salários mínimos. No âmbito do Pode Entrar Entidades, trabalhamos com a perspectiva de condições compatíveis com a realidade dessas famílias. Para participar, é fundamental manter atualizados o Cadastro Único e a Ficha de Demanda Habitacional, além de atender aos critérios estabelecidos pelo programa. Na ASPD, também orientamos as famílias sobre a importância da participação nas reuniões mensais e do cumprimento das normas previstas no Estatuto e no Regimento Interno da entidade.
O senhor acredita que os financiamentos habitacionais poderão ficar mais caros nos próximos anos? Quais fatores econômicos podem influenciar diretamente as prestações e o acesso das famílias ao apartamento próprio?
A economia é um fator determinante. Inflação, renda das famílias, custo da construção civil, taxas de juros e até o cenário econômico nacional e internacional podem influenciar o setor habitacional. Por isso, nosso papel como movimento de moradia é continuar mobilizando, organizando e representando as famílias na defesa da ampliação das políticas públicas de habitação de interesse social. Precisamos trabalhar para que mais famílias tenham acesso ao apartamento próprio em condições compatíveis com sua renda.
Quem ganha até três salários mínimos continua sendo o público que encontra mais dificuldade para comprar um imóvel. Quais mecanismos podem ser utilizados para que essas famílias consigam entrar nos novos empreendimentos?
O primeiro passo é buscar informação e orientação. A ASPD realiza atendimento no último sábado de cada mês, das 14 às 17 horas, no Centro de Atendimento ao Público do Movimento de Moradias Populares, localizado na Rua Augusto Cavalcanti, 28, no Conjunto Habitacional José Bonifácio, em Itaquera. É nesse atendimento que as famílias podem conhecer os critérios, apresentar sua situação e receber as orientações necessárias para participar do quadro associativo e dos projetos habitacionais.
Como funcionará o processo para uma família interessada em uma dessas unidades? Haverá cadastro, pré-atendimento, análise de renda e algum tipo de seleção?
Nosso atendimento é individualizado. Cada família recebe orientações e passa por uma análise preliminar de sua documentação e de sua situação socioeconômica, sempre considerando os critérios e as normativas do programa habitacional. Realizamos um acompanhamento criterioso para identificar eventuais pendências e orientar cada família sobre os requisitos necessários para, no momento adequado, estar apta às etapas de seleção e eventual assinatura do contrato de financiamento. A participação no quadro associativo também exige o cumprimento do Estatuto e do Regimento Interno da ASPD.
Muitas pessoas ainda confundem habitação popular com imóvel de baixa qualidade. Como são definidos os projetos, a localização e a estrutura dos empreendimentos que a Associação pretende lançar?
Habitação de interesse social precisa ser tratada com qualidade, responsabilidade técnica e respeito às famílias. Defendemos empreendimentos bem planejados, com projetos adequados, boa localização, infraestrutura e acompanhamento de profissionais qualificados da construção civil. O fato de um empreendimento ser destinado à habitação popular não significa que deva ter qualidade inferior. Pelo contrário: estamos falando do patrimônio e do futuro de centenas de famílias.
O programa Pode Entrar foi fundamental para viabilizar projetos de habitação de interesse social em São Paulo. O que precisa avançar agora para que novos empreendimentos sejam contratados e entregues com mais rapidez?
Precisamos de políticas públicas permanentes, segurança institucional e uma relação de parceria entre o Poder Público e as entidades organizadoras. As entidades possuem continuidade institucional, estatutos, regimentos e responsabilidades próprias. Quanto maior for a cooperação técnica entre poder público, entidades, famílias e demais agentes envolvidos, maiores serão as condições para avançar na contratação e execução dos empreendimentos habitacionais.
Existe hoje uma demanda reprimida de famílias cadastradas ou interessadas nos projetos da Associação? Quantas pessoas aproximadamente aguardam uma oportunidade de conseguir sua moradia?
A demanda por habitação de interesse social é enorme, não apenas na capital, mas em toda a Região Metropolitana e no Estado de São Paulo. Diariamente encontramos famílias que ainda aguardam uma oportunidade de acessar um programa habitacional. Mais importante do que apresentar números sem uma base oficial atualizada é reconhecer que existe um déficit significativo e que precisamos ampliar continuamente a produção de habitação de interesse social.
Olhando para os próximos anos, qual é o principal desafio para a Associação São Paulo Diferenciado: conseguir terrenos, financiamento, aprovação dos projetos ou garantir que as famílias tenham condições de pagar pelo imóvel? E qual é a expectativa do senhor para os próximos lançamentos?
Nosso maior desafio é ampliar a produção habitacional, viabilizar novos terrenos, construir mais empreendimentos e entregar mais apartamentos. Ao mesmo tempo, precisamos de famílias comprometidas em acompanhar o processo, manter sua documentação atualizada e cumprir as normativas dos programas habitacionais. Nossa expectativa para os próximos anos é avançar com os projetos que já estão em andamento e trabalhar para ampliar ainda mais o número de apartamentos destinados à habitação de interesse social. O nosso objetivo permanece muito claro: transformar organização, participação e política habitacional em oportunidades reais para que mais famílias conquistem seu apartamento próprio.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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